GMF promove palestra “Universidade, Justiça e Sociedade”, sobre cárcere e reinserção
Exposição do professor Sérgio Salomão Shecaira.
O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de São Paulo (GMF), em parceria com a Escola Judicial dos Servidores (EJUS), promoveu, hoje (14), a palestra “Universidade, Justiça e Sociedade: experiências dos projetos GDUCC e Nova Rota”, com o professor da USP e pesquisador criminalista Sérgio Salomão Shecaira. Voltado a magistrados e servidores do TJSP e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o encontro virtual foi conduzido pelo supervisor do GMF, desembargador Gilberto Leme Marcos Garcia. "A reflexão sobre o nosso sistema prisional exige uma visão ampla, que extrapole a questão do encarceramento", afirmou o magistrado, destacando a importância da ressocialização e da contribuição da universidade para novas perspectivas de atuação.
Ex-presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, o professor Sérgio Shecaira traçou um panorama histórico da sobrecarga do sistema prisional brasileiro e apresentou o tripé que sustenta a atuação universitária: ensino, pesquisa e extensão. Nesse último item, se inserem os projetos GDUCC (Grupo de Diálogo Universidade-Cárcere-Comunidade) e Nova Rota, vinculados à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP) e voltados à compreensão do sistema de justiça criminal e à reinserção social de egressos do sistema prisional.
O GDUCC tem como pilar o diálogo horizontal. "Vamos às unidades prisionais e promovemos rodas de conversa entre universitários, pessoas privadas de liberdade e a comunidade externa. Tentamos romper com qualquer hierarquia entre saberes e, por isso, há sempre o mesmo número de pessoas externas e internas. Buscamos ressignificar o imaginário de marginalização e aproximar o meio acadêmico e a sociedade da realidade do sistema prisional e socioeducativo", explicou Shecaira. Segundo o professor, a iniciativa também busca mudar uma realidade do meio jurídico, em que "muitos se formam e vão trabalhar com execução penal sem nunca terem entrado em uma prisão".
O Nova Rota, por sua vez, é um projeto de extensão que oferece bolsas de estudos, acompanhamento psicológico e mentoria a pessoas egressas do sistema prisional. Organizado como associação sem fins lucrativos, tem foco na capacitação profissional e destina integralmente os recursos captados por doações à ampliação do número de bolsistas. "Esses são projetos que podem ser replicados em outras cidades e Estados e estamos disponíveis para trocas institucionais", convidou Shecaira.