Desembargadora Conchita Toniollo
DESEMBARGADORA CONCHITA TONIOLLO
Por desembargador Robson Marques Cury
20/03/2026
Atualizado hoje
Conchita Toniollo, filha de Julio Toniollo e Cacilda Seeling Toniollo, nasceu no dia 3 de dezembro de 1932, em Curitiba (PR). Ela se formou bacharel pela Faculdade de Direito de Curitiba, com a turma de 1964. Sua carreira na magistratura como juíza substituta iniciou no dia 12 de junho de 1966, na comarca de Sengés, sede da Seção Judiciária que abrangia as comarcas de Jaguariaíva, Piraí do Sul, Castro, Wenceslau Braz e São Jerônimo da Serra.
A magistrada foi aprovada em concurso para juíza de Direito no dia 7 de outubro de 1967 e foi nomeada para as comarcas de Wenceslau Braz e Rio Negro. Foi promovida para a Comarca de Francisco Beltrão, onde permaneceu até 1973, quando retornou, por remoção, a Rio Negro. Em 1979, Conchita atuou na Comarca de Campo Largo, pela qual respondeu até 1981.
Foi convocada para atuar na Câmara Cível do Tribunal de Alçada e, por duas vezes, por convocação, atuou como substituta no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), na Câmara Criminal. Em 3 de dezembro de 1993, tomou posse como juíza do Tribunal de Alçada, onde exerceu a vice-presidência em 2002. Foi promovida a desembargadora do TJPR no dia 22 de março de 2002 pelo critério de antiguidade. Aposentou-se compulsoriamente no dia 3 de dezembro de 2002. Após sua aposentadoria, Conchita continuou a ser uma figura respeitada e admirada no meio jurídico, recebendo homenagens e reconhecimentos que refletiam sua dedicação e amor pela profissão.
A magistrada foi uma das precursoras da magistratura feminina no estado, sendo uma das primeiras juízas do Paraná, e exerceu um papel relevante no Judiciário paranaense. “Não fui a primeira, mas ajudei a abrir muitas portas para as mulheres na Magistratura”, afirmou a desembargadora em um evento da Associação Paranaense dos Juízes Federais (Apajufe) e da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), em 2017.
Conchita sempre defendeu a importância da igualdade de gênero dentro do Poder Judiciário. Em persas ocasiões, ela ressaltou que a presença feminina traz uma nova perspectiva às decisões judiciais, contribuindo para um sistema mais justo e humano. Além de sua atuação como magistrada, dedicou parte de seu tempo à formação de novas gerações de advogadas e advogados, juízas e juízes, participando ativamente de conferências e seminários, onde compartilhava sua vasta experiência e inspirava jovens a seguir a carreira jurídica.
A magistrada também era conhecida por seu engajamento em causas sociais, lutando contra a violência doméstica e defendendo os direitos das mulheres e das crianças. Em sua trajetória, Conchita esteve presente em campanhas que buscavam conscientizar a população sobre a importância da proteção a grupos vulneráveis e a necessidade de um sistema judicial mais acessível. "Justiça é para todos, e lutar por essa justiça é o que dá sentido ao meu trabalho", frequentemente afirmava durante suas palestras.
Ao longo da carreira, Conchita Toniollo enfrentou várias dificuldades, mas sempre teve como ideal fazer “algo de bom para a humanidade” e atuou para acelerar a tramitação de processos nos locais onde exerceu a função de magistrada. Um dos seus julgamentos de grande repercussão foi a interpretação da lei sobre a responsabilidade dos motoristas ao dirigirem embriagados. “Para ser juiz, é preciso muita dedicação, é um sacerdócio. É preciso estudar bastante, trabalhar durante o dia, às vezes durante a noite, nos fins de semana e nas férias. A regra é atender às necessidades da sociedade e dar uma resposta rápida”, contou a desembargadora, em uma entrevista de 2014.
O TJPR, por meio de nota pulgada pela Assessoria de Comunicação no site e nas redes sociais, lamentou o falecimento de Conchita Toniollo, aos 91 anos, no dia 9 de janeiro de 2024, em Francisco Beltrão (PR). O velório da desembargadora foi realizado na Capela do Tribunal em 10 de janeiro de 2024, e o sepultamento aconteceu no Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. A desembargadora teve duas filhas e atuou por 36 anos na magistratura.
Tive a ventura de conhecer e trabalhar no Tribunal de Alçada com a magistrada Conchita Toniollo, muito experiente e desenvolta, e com ela muito aprendi. Conchita chegou a atuar no Órgão Especial. Bonita e elegante, encantava a todos com seu charme, com agudeza de raciocínio jurídico, companheirismo e educação.
Sua história e contribuição para o Judiciário paranaense deixarão um legado duradouro, que certamente continuará a inspirar aqueles que desejam fazer a diferença no mundo da Justiça. A ética e a determinação de Conchita Toniollo permanecerão na memória dos que tiveram a sorte de conviver com ela e na vida de tantos que se beneficiaram de sua inestimável obra.