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Especialistas destacam necessidade de priorizar diálogo e acessibilidade na comunicação pública

As instituições públicas precisam priorizar a acessibilidade, a clareza e a escuta ativa do cidadão para garantir que as informações e os serviços essenciais cheguem a toda a população. Essa diretriz deu o tom da abertura do 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública (ComPública), que conta com o apoio do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O evento - que teve início na quarta-feira, 16 de setembro, e segue até sexta-feira, 18, na Câmara dos Deputados, em Brasília - integra as comemorações dos 200 anos da Câmara e marca os dez anos de fundação da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública).  Durante a solenidade de abertura, gestores e especialistas destacaram que a comunicação não pode ser apenas a transmissão de dados, mas, sim, um processo contínuo de escuta e inclusão. A diretora-geral do Instituto Serzedello Corrêa do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Cristina Siqueira Novaes, ressaltou a importância de adequar a linguagem e os canais às diferentes realidades do país. “Comunicação é diálogo: o cidadão ouve, mas também precisa ser ouvido”, defendeu. A diretora acrescentou que “comunicar para todos do mesmo jeito pode significar, na prática, comunicar apenas para alguns”. Na mesma linha, o presidente da ABCPública, Jorge Duarte (foto), enfatizou o compromisso de tornar o poder público mais transparente e compreensível. “A comunicação pública precisa ajudar as instituições a cumprir sua missão e permitir que serviços cheguem às pessoas”, destacou. “Quando isso falha, o cidadão paga em tempo, dinheiro, segurança e perda de oportunidades. Perde também paciência e confiança.” Sobre as parcerias e os apoios para a realização do 4º ComPública, Duarte agradeceu às instituições que contribuíram para a realização do evento, entre elas o CNMP. Desafios Em seus pronunciamentos, os palestrantes listaram obstáculos enfrentados pelos profissionais da comunicação pública. O professor Jorge Duarte apontou a falta de pessoal, a realização de atividades sem planejamento estratégico e a incompreensão de outras áreas sobre o papel da comunicação. “Passamos a vida explicando o que as instituições fazem, mas não explicamos o que fazemos. Precisamos explicar mais sobre comunicação”, observou. A diretora de Comunicação Social do Senado Federal, Glauciene Lara, destacou o paradoxo entre a abundância de dados e a dificuldade de fazer a informação de qualidade alcançar o público. “Comunicar hoje é disputar atenção em um ambiente saturado de algoritmos, interesses econômicos e narrativas concorrentes”, avaliou. Glauciene também mencionou a complexidade de falar com públicos persos em plataformas variadas e a necessidade de lidar com os avanços da inteligência artificial sem perder a ética e a mediação humana. A diretora-geral-adjunta da Câmara dos Deputados, Amanda Maria Ramalho de Carvalho, ressaltou o papel do jornalismo público na defesa das instituições em momentos de crise de legitimidade. “A comunicação pública existe para promover a transparência do Estado, estimular a participação cidadã no debate político e fortalecer a democracia”, afirmou. A subsecretária-geral das Nações Unidas para a Comunicação Global, Melissa Fleming, salientou a queda na confiança nas democracias provocada pela desinformação. Para ela, a solução passa por “ir ao encontro do público onde ele está, nos canais que ele usa, na língua que ele fala”. Premiações Na cerimônia de abertura, também foram entregues premiações que reconhecem iniciativas e profissionais do setor. A Universidade Federal de Sergipe (UFS) conquistou o Prêmio Neusa Meller de Audiovisual Universitário. Já o Prêmio Beth Brandão de Comunicação Pública foi concedido ao professor sênior Wilson da Costa Bueno, da Universidade de São Paulo (USP), por sua contribuição para a consolidação e a democratização do conhecimento na área no país. Programação A programação do 4º ComPública inclui mesas-redondas, minicursos e grupos de trabalho voltados para o fortalecimento da cidadania e da democracia. Realizado nos formatos presencial e remoto, o encontro reúne mais de 1,8 mil inscritos de todas as regiões do país. A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura “Agência Câmara”. Com informações da Agência Câmara de Notícias Fotos: Jean Copetti/Senado Federal
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