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Há coincidência entre gastos com "Dark Horse" e o envio de emendas parlamentares para empresas da produtora do filme, diz PF

Há coincidência entre gastos com 'Dark Horse' e o envio de emendas parlamentares para empresas da produtora do filme, diz PF A Polícia Federal afirmou que há coincidência entre os gastos com o filme "Dark Horse" e o envio de emendas parlamentares para empresas da produtora. A investigação começou com auditorias da Controladoria-Geral da União. Elas levantaram suspeitas de que as duas emendas parlamentares do deputado Mario Frias, do Pl, podem ter ajudado a custear despesas do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Frias é o produtor executivo do filme. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No relatório que embasou a operação desta quarta-feira (10), a Polícia Federal primeiro apontou uma coincidência entre movimentações financeiras da Go Up Entertainment, de Karina Gama, empresa responsável pelo filme de Jair Bolsonaro, e o envio de dinheiro público por meio de emendas para uma ONG também presidida por Karina. A ONG ICB, Instituto Conhecer Brasil, recebeu duas emendas de Mário Frias, que somaram R$ 2 milhões, para projetos de educação digital e de esportes de combate. Além da Go Up e do ICB, Karina Gama também é sócia da Conhecer Brasil, Assessoria, Produção e Marketing Cultural, e presidente da ONG Academia Nacional de Cultura, que também foi alvo da operação desta quinta-feira (10). As quatro têm o mesmo endereço e telefone cadastrados na Receita Federal. 1 de 3 Há coincidência entre gastos com 'Dark Horse' e o envio de emendas parlamentares para empresas da produtora do filme, diz PF — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução A polícia afirmou que “chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação financeira, bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras”. A suspeita da Polícia Federal é de que a Go Up e as ONGs de Karina Gama, em conjunto com outros fornecedores, formaram uma estrutura de desvio e ocultação de recursos públicos. De acordo com a investigação, uma das operações suspeitas foi da empresa NTT Brasil, de Heric Dias, que também foi alvo de buscas. Segundo a Polícia Federal, a NTT enviou R$ 750 mil para a Go Up, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700 mil que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial da NTT, receberam do ICB, de Karina Gama. O relatório destacou que o próprio Mario Frias transferiu R$ 645 mil diretamente para a Go Up. Os investigadores destacaram que o deputado recebe R$ 44 mil da Câmara, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de 60 dias. 2 de 3 A suspeita da Polícia Federal é de que a Go Up e as ONGs de Karina Gama, em conjunto com outros fornecedores, formaram uma estrutura de desvio e ocultação de recursos públicos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Outra movimentação suspeita, segundo o relatório, foi da Complexsys. A PF disse que a empresa, formalmente contratada pelo ICB para a execução de projetos custeados por recursos públicos, recebeu transferências diretamente realizadas por Mario Frias e, paralelamente, efetuou devoluções financeiras ao ICB. Além disso, repassou valores expressivos à ANC, também de Karina, organização da sociedade civil que não deveria ter fins lucrativos e que se insere no mesmo ecossistema operacional. Segundo a Polícia Federal, "essa circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária evidencia um circuito financeiro fechado, característico de estruturas destinadas à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação". Na decisão que autorizou a operação, o ministro Flávio Dino destacou a constatação da PF que coloca Mario Frias como "participante ativo da engrenagem financeira sob investigação, realizando movimentações incompatíveis com sua capacidade econômica conhecida e mantendo relações patrimoniais com integrantes do mesmo núcleo já identificado nas demais frentes investigativas". O deputado federal Mario Frias pulgou um vídeo nas redes sociais. Ele afirmou que a investigação é sobre emenda parlamentar pública, registrada, transparente e que pode ser consultada por qualquer pessoa no Portal da Transparência. Declarou, também, que a defesa dele pede há meses acesso ao inquérito e que não pode haver defesa sem ler a acusação. Mario Frias afirmou que dinheiro de emenda parlamentar não passa pela mão do deputado, mas do Tesouro direto para o órgão executor; que pode enviar documentos à Controladoria-Geral da União. O deputado negou irregularidades, disse que só existem suspeitas e chamou a operação de cortina de fumaça. Declarou ainda que vai colaborar com as autoridades e entregar todos os documentos que forem solicitados. Marcello de Oliveira Lopes afirmou que a transferência citada refere-se exclusivamente a um investimento privado dele na produção do filme "Dark Horse". Declarou que esse investimento foi realizado com recursos próprios, de forma regular, diretamente da conta dele, dentro da legalidade e devidamente formalizado em contrato adequado; e que permanece à disposição para esclarecimentos. Atualização O Jornal Nacional recebeu na noite desta quinta-feira (10) uma nota enviada pela defesa da produtora do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Como mostramos no início desta edição, Karina Gama foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura suposto desvio em emendas parlamentares do deputado Mario Frias. A defesa dela afirma que ajuizou nesta quinta-feira (10) reclamação constitucional perante a presidência do Supremo Tribunal Federal. Afirmou que a cliente estava contribuindo espontânea e voluntariamente com a investigação e que entregou mais de 20 mil laudas de documentos. A empresa Complexys também se manifestou. Informou que a operação da Polícia Federal vai comprovar que os recursos recebidos pela empresa não tiveram vínculo com o financiamento à produção do filme. A nota declara que uma perícia independente comprova que não existe relação entre o contrato da empresa com a produtora Go Up. O que diz Flávio Bolsonaro 3 de 3 Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução “Olha, não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público. Eu já cansei de falar. Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro, de ponta-cabeça, que não vai ter nada. O que tem claramente é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições. A única realidade é: qual o fundamento dessa operação? Político”. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Andréia Sadi: PF faz operação para investigar suposto desvio de emendas para filme 'Dark Horse'Caso 'Dark Horse': veja argumentos de Dino para puxar apuração de SP contra Mario Frias para STFCaso 'Dark Horse': Dino proíbe Mario Frias de sair do país e ter contato com outros investigadosGastos com filme 'Dark Horse' coincidem com envio de emendas de Mario Frias para produtora, aponta PF
10/09/2026 (00:00)
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