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Juliana Vidal apresenta talk “Sobreviver à jornada: do Acolhimento ao Recomeço”

Sobreviver à rotina da advocacia nem sempre significa estar bem. O testemunho “Sobreviver à jornada: do acolhimento ao recomeço”, feito pela advogada Juliana Vida, membro relatora da Comissão da Mulher Advogada, fez parte da programação de quinta-feira (17/9) na IV Conferência Estadual da Mulher Advogada (CEMA) realizada na sede da OAB Paraná, em Curitiba. A apresentação colocou em pauta o desgaste silencioso das advogadas que são vítimas de violência doméstica e os caminhos possíveis para reconstruir o sentido do trabalho depois disso. “Quantas de nós já fomos fortes demais por tempo demais?”, questionou ela logo na abertura do talk. “É bonita a imagem da mulher forte, independente, que lidera, administra uma casa, resolve tudo. E nós, advogadas, somos treinadas para encontrar soluções, argumentar, defender um cliente, para nunca enfraquecer. Mas há algo para o qual ninguém nos prepara: o dia em que precisamos ser defendidas. Sei porque passei por isso”, disse, sob visível comoção. Juliana Vidal Juliana Vidal contou como o ambiente de violência doméstica faz com que a mulher deixe de acreditar em si. “Não é só violência física – é moral, psicológica. E, muitas vezes, uma destruição da autoestima que deixa marcas profundas”.  A advogada também lembrou que muitas vítimas continuam amando quem as machuca. “E isso confunde quem olha de fora: afinal, por que uma mulher inteligente permite isso?” “É uma pergunta que ignora a complexidade dos vínculos. Admitir que precisa de ajuda é o primeiro passo, mas isso é o oposto do nosso treinamento para sempre pensar no que os outros precisam”, apontou. A palestrante lembrou que violência doméstica não escolhe classe social, profissão, endereço. Pode estar na casa simples, ou no lar de uma médica, de uma juíza, de uma professora, de uma advogada. “E para as que têm uma carreira, há uma barreira adicional: o medo de destruir a imagem, a reputação conquistada. Como se dinheiro e posição fossem vacinas. Não são”. Para ela, essa vergonha leva algumas mulheres a demorar ainda mais a pedir ajuda. “Mas quero dizer: denunciar, chorar e ter medo não são fraquezas. A fraqueza está em quem usa o medo para controlar outra pessoa”, ressaltou. A advogada disse que quando estava mais vulnerável encontrou acolhimento no programa OAB Acolhe, mantido pela OAB Paraná. “Para mim, foi muito mais que iniciativa institucional. Acolher não é apenas dizer ‘estou aqui’; é permanecer, ouvir sem julgar e compreender que cada pessoa tem seu tempo e que sair de uma situação de violência não é apertar um botão. É uma jornada que para mim ficou possível com o OAB Acolhe”, relatou.
17/09/2026 (00:00)
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